O que só eu sei

reunião de crônicas e artigos despretensiosos e bem-humorados de autoria da jornalista Juliana Centini sobre coisas da vida, vistas de uma perspectiva feminina e simples!

5/11/10

A arte de resmungar e reclamar

Por Juliana Centini

 

Deus, generoso e compreensivo, dá a cada um de nós um dom! Eu, na minha humilde opinião, acredito que nós, anjinhos no paraíso nos preparando para encarnar, temos a chance de escolher qual dádiva norteará nossas vidas. E com base nisso, começo a acreditar que algumas pessoas — sabe-se lá por quais desígnios — escolhem a arte de reclamar como seu dom sagrado!

Elas acordam reclamando: “Já?”, e vão se deitar resmungando: “Saco!e Amém!”  

Repare, a maioria dos ‘reclamões’ tem mania de perseguição, ou por esses motivos que a gente desconhece e não explica, elas são tristemente os mais azarados que conhecemos. Tudo é ruim, não serve, ou tem algum problema. E quando não encontram um motivo real e concreto para criticar, dizem: “Ah, isso esta bom demais pra ser verdade”.

Para os melindrosos toda oportunidade é uma oportunidade em potencial para chorar as pitangas. O chefe ‘mala’ é para esse cara o monstro do lago Ness. Ele tem a nítida impressão e está convicto de que o chefe passa o dia inteiro tramando estratégias de como dificultar o seu trabalho, de como prejudicá-lo ou importuná-lo. E não tente convencê-lo do contrário.

 Pegar ônibus é um inferno, mas ficar parado no trânsito engatando a primeira e a segunda do carro é insuportável.

As costas doem porque o colchão é ruim.

A cabeça doe porque ele precisa de óculos e não tem tempo de ir ao oftalmo.

Ele está cansado de tanto o que tem pra fazer, e está cansado de não ter um programa legal na sexta à noite.

A namorada ou o namorado não acerta uma! Quando ele consegue manter alguém que aguente os seus lamentos intermináveis.  

As mídias sociais são o seu diário de descarrego. Todo mundo da sua rede de amizades PRECISA saber o quanto ele está infeliz, insatisfeito, impaciente, incomodado, indignado e outros muitos ‘ins’ que existam.

Faz sol e ele foi à praia. E então, como foi? “Nossa, um sol que não dava nem para andar de olho aberto, e a minha pressão foi no pé, sem contar que o protetor solar venceu e me queimei inteiro”.

E se choveu? “Nossa, fiquei mofando no apartamento o dia todo, sem coragem de sair da cama, esse tempo cinzento dá um desânimo, não dá…”

Se alguém comenta sobre a sua aparência é invejoso.

Se ninguém comenta sobre o corte de cabelo é insensível.

Se alguém oferece ajuda, é prepotente.

Se ninguém oferece ajuda é egoísta.

O resmungão vocifera sozinho, em voz alta, em voz baixa. Para todo mundo ouvir, e sem que tenha ninguém ouvindo.

Todos têm direito a sua cota de insatisfação, faz parte do ser humano notar o que há de errado e desejar situações mais agradáveis. Porém, para tudo há um limite. Até para reclamar sobre reclamações, por isso encerro aqui: “Melindrosos abram seus corações para o sol de cada manhã, mesmo que o céu esteja encoberto. Todas as nuvens são passageiras”   

O ministério do bem-estar adverte: reclamar é contagioso e você pode ser infectado. Por isso, incentive o desuso dessa prática daninha.

“É melhor ser alegre que ser triste! Alegria é a melhor coisa que existe. É assim como a luz num coração!” (Samba da Benção - Vinícius de Moraes)

 

 

 

 

 

criado por julianacentini    09:28:02 — Arquivado em: Sem categoria — Tags:, , , , ,

21/10/09

Medo de ser feliz

por Juliana Centini

Assumir a felicidade não é tão fácil, natural ou prazeroso quanto se imagina. Por mais que passemos a nossa vida inteira em busca dela, tê-la de fato em nossas mãos pode ser uma tarefa um pouco mais complicada do que pintam as histórias do cinema ou da literatura terminadas em “E foram felizes para sempre”.

Ser feliz é ter mais uma responsabilidade, a de manter-se feliz, a de cultuar o sentimento nobre, o de não perder aquilo que foi conquistado.

Os momentos de euforia, de felicidade pura e simples não me preocupam. Fico receosa é com aqueles outros momentos em que a felicidade parece ter vindo para ficar. Piro no instante em que penso: “Como é possível tanta felicidade para uma pessoa só.” Sempre acho que deve haver algo de errado. Como se essa felicidade aparentemente duradoura precedesse algo de terrível a acontecer. Quando chega-se a esse ponto, pronto!

A felicidade se torna ansiedade e insegurança.

Gostaria de pensar menos, de tentar prever menos, de me adiantar menos. E claro, de curtir a felicidade sem o medo terrível de que se vá!

Afinal de contas isso significaria ter que começar tudo de novo…

criado por julianacentini    10:38:53 — Arquivado em: Sem categoria

7/4/09

Porque viver de coração aberto faz toda a diferença

por Juliana Centini

Não trocaria um minuto da minha vida por outro mais cor-de-rosa. Porque viver de coração aberto faz toda a diferença.

Houve um tempo em que eu não só vivia de peito aberto, mas de alma escancarada.

As mais doces recordações que tenho são de tempos assim, em que vivia à flor da pele, emoções a mil, e de nada me arrependia.

 

Se amei foi de todo o meu coração.

Se briguei foi de toda a minha indignação.

Se sorri foi de toda a minha alma.

Se chorei foi de toda a minha tristeza.

Eu não sentia pela metade e não me doava pela metade. Não deixava pra uma hora qualquer as declarações sinceras.

Me apaixonei por cada história apaixonante.

Amei com cada centímetro do meu corpo, alma e mente.

Me dediquei.

Sem que fosse preciso me pedir, doava o que de mais puro havia dentro de mim.

Era mais feliz, e menos sensata.

Às vezes a emoção era tanta que sentia como se ninguém mais sentisse como eu…

Talvez eu tenha pecado pelo excesso e pela intensidade de paixão com que encarava a vida. Fiz minhas dívidas por amar demais.

 

Tudo passou.

Hoje amo sensatamente. Vivo de momentos palpáveis. Não sou infeliz, mas aprendi a ser feliz de outra forma.   

Sei que estou segura onde estou, deste lugar em que as minhas 25 primaveras, agora alçadas à outra metade primaveril que quer me amar e ser amado seguramente.

 

Pétalas esquecidas

Nasceu em meu jardim uma linda rosa perfumada

Tão bela e delicada como a natureza

Saltitam lindas borboletas cheias de esplendor

Mostrando e admirando a sua beleza

E lindos arvoredos verdes em volta dos canteiros

Fazendo arco e sombras sobre o roseiral

E a perfumada primavera com todo o esplendor mostrando a natureza em todo o seu valor que Deus criou.

Eu não pude resistir a tentação que a rosa provocou em mim esta grande paixão

Fui ao jardim e colhi a linda flor e presenteei ao meu primeiro amor

Hoje a linda rosa são pétalas esquecidas foi o meu primeiro amor que atravessou em minha vida.

E a rosa murchou, senti tanta dor, morreu o meu primeiro amor…” - (Marisa Monte)

 

 

 

criado por julianacentini    09:58:09 — Arquivado em: Sem categoria — Tags:

6/1/09

Adeus às cartas de amor

Por Juliana Centini

 

Nunca pensei que as cartas de amor pudessem se tornar banais como as notícias costumeiras de um jornal qualquer.

Jamais acreditaria se alguém me dissesse que palavras de amor podem ser ouvidas como papo furado.

Não creria em nada disso se eu mesma não houvesse constatado tudo isso.

Das escritoras não sou a melhor, minhas reflexões sobre o amor e sobre amar não chegam aos pés de qualquer projeto mal executado de um bom escritor. Mas, de qualquer forma e de toda maneira, elas vêm do fundo da minha alma, e não vão parar no papel sem pelo menos um pouco de suor e esforço.

Algumas doem por muito tempo dentro de mim até que estejam prontas para sair e escancararem-se para o mundo. Outras tantas sinto há tempo suficiente para considerá-las parte de mim, como um órgão sobressalente e vital. 

Vê-las escorregando para o esquecimento sem que sejam sentidas, sem que haja o mínimo de uma reflexão, ou ainda quem sabe, um pouco de gratidão é angustiante… asfixiante… intolerável como uma facada pelas costas…

Dramática? Um pouco de drama é necessário a uma pessoa apaixonada por atitudes apaixonantes.

As cartas que antes eram aguardadas com ansiedade e recebidas com carinho hoje são apenas lidas!

…Lidas…

Apenas lidas.

E ponto!

Se um dia recebesse uma carta de amor eu a leria com todo o meu coração, absorveria cada palavra tosca, brega e chinfrim. Mesmo que, ao final, fosse preciso decepcionar meu escritor dizendo que não sinto o mesmo, e sequer metade de seus desejos se realizarão…

Ainda assim trataria aquele pedaço de papel e sentimento com respeito, gratidão e carinho. 

Não quero deixar de escrevê-las! Mas, não posso mais sabendo que o lixo, o lado de fora do coração e superficialidade são seu destino.  

Talvez eu as escreva e guarde só para mim, se ainda achar que isso faz algum sentido.

Digo Adeus…

“Olá meu grande amor, gostaria que soubesse o quanto sou grata por me fazer feliz, e me permitir amá-lo todos os dias e cada dia… blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá …”

criado por julianacentini    14:16:00 — Arquivado em: Sem categoria

30/9/08

Andar para trás

Por Juliana Centini

Rodeadas de teorias e mais teorias, em uma época em que quase tudo tem explicação — com exceção do Ronaldinho Gaúcho ter uma namorada bonita e que não se interesse pelo seu patrimônio — é muito fácil pirar pensando em algumas atitudes do sexo oposto.
Após queimar sutiãs; sacrificar a saúde, vida e a família em jornadas de mil horas de trabalhos mal remunerados beirando o regime escravo; inventar receitas maravilhosas na cozinha; acabar com as mãos e costas no tanque; engordar horrores tendo filhos e mais filhos, além de criá-los, educá-los, apoiá-los, e contudo superar, dar conta do recado, e ainda por cima se destacar no mercado de trabalho, recebemos um recado implícito, explícito, incabível e baixo — que não vem do além — mas do ser masculino ao nosso lado:

“Mulheres coloquem o pé no breque da evolução, deixem de se atualizar, não busquem independência financeira, não sejam autênticas, jamais bonitas, inteligentes, interessantes e divertidas no mesmo pacote. Jamais!… Isto claro se não quiserem morrer solteiras!”

Traduzindo: "Sejam submissas e tenham um traste ao seu lado".

Em um mundo paralelo e machista isto seria com alguma relutância possível, já aqui e agora pedir isto a uma mulher é o que se pode chamar de ultrajante, retrógrado, insolente, surreal.

Uma amiga me deu a deixa…

Cabelos castanhos, 1,70m, olhos esverdeados, é engraçada e inteligente! Fluência em outra língua, classe média alta, já morou no exterior! Adora e ENTENDE tudo de futebol! Acredita que sexo pode ser também casual… É siliconada! Faz um fondue de queijo no pão italiano que é di-vi-no. Não fala do ex-namorado para o ‘atual’…

Dadas às características, adivinhe só?!
Ela pode ser considerada o modelo perfeito da famosa AFUGENTA HOMEM!
Ficou bege, azul, verde e roxa? Eu também!

Ao invés de agradecer a benção enviada por Deus à sua efêmera vida, eles se assustam, criticam, inventam defeitos, descartam o tipo A, e optam pelo modelo de fábrica mais simples, sem adicionais, daquele que funciona com desempenho regular, nenhuma função inovadora, e que às vezes precisa pegar no tranco. “Mas funcionar, funciona!”, justificam.
Para os fãs do extinto seriado Friends, há um episódio em que o personagem de Matthew Perry, o Chandler, está à procura de uma namorada, porém todas as mulheres que aparecem têm um defeito inaceitável. Uma delas foi dispensada pelo cara por ter o pé feio. Ficção? Será? Moral da história: o medo de investir em uma relação que poderia dar certo é o que o faz afastar as mulheres dignas que se aproximam.
Na vida real…
Quando há a rejeição os motivos são inúmeros, incontáveis, incompreensíveis, insustentáveis…
“O problema sou eu…”, ou “Acho que eu não estou preparado para assumir uma relação mais séria…”, ou então “Tenho medo de acabar te machucando…”, e até “O que você acha de uma relação aberta?…” e a nova modalidade: “Cricri, cri, cri… (é o grilo ao fundo da desculpa do cara que não dá desculpa nenhuma e simplesmente some!)”.
Porém, em momento algum conseguem admitir o medo de ter ao seu lado uma grande mulher. Desta forma fazem com que a idéia da existência deste pavor esteja somente no imaginário feminino, como uma lenda, algo místico ainda não comprovado pela ciência moderna.

Não tenham medo homens! Mordemos, mas bem de leve e só quando extremamente necessário.

criado por julianacentini    14:06:09 — Arquivado em: Sem categoria

25/7/08

Na minha freqüência

Por Juliana Centini

Sentada em um micro pufe na sala de espera de uma rádio FM paulistana, ao som de um house do ano passado, comecei a pensar, a lembrar de algumas épocas da minha vida. E cheguei à conclusão de que homens e música eletrônica, os dois juntos, nunca me atraíram. Não que eu não goste do som, muito menos de homens, mas como diria uma amiga bragantina: ‘Não orna’… Ou, traduzindo: ‘Não combina’, ‘Doesn’t match’…
Ainda assim me considero de gosto eclético, principalmente quando o assunto envolve homens e ritmos musicais!
Cada paixão na minha vida foi embalada por um gênero distinto. E quando eu digo distinto, quero dizer DI-FE-REN-TE meeeesmo…

E não importa o que aconteça elas ainda reviram-me o estômago quando tocam, me pegando de surpresa!

Veja só…

Inocência e Rock’n Roll
Meu primeiro amor. Ah, a adolescência! Hormônios, descobertas e muito rock’n roll. Me apaixonei perdidamente por aquele fã de Aerosmith… Seria capaz de escalar as paredes de um estádio de futebol para ver Steven Tyler cantando Hole in my soul e segurar aquela mão adolescente. Devastada pelo calor e pela voz rouca do ‘bocão’, passei cinco anos comprando Cds, decorando músicas e me identificando com refrões confusos (você já tentou achar nexo na música Pink?). Chorei feito uma criança entre beijos no escurinho do cinema e as cenas do Armagedon. Minha relação foi verdadeira e pura, era para sempre enquanto durasse Fly away From Here. Mas, isto aqui é mundo real, e como em muitas canções meu coração se partiu e, literalmente abriu-se um buraco em minha alma… Mas, Steven já dizia: “It’s never to late to start again, and say another prayer…” Eu ainda era jovem e disposta a acreditar que amar nunca é demais, nem impossível… In fact: ainda sou!

Liberdade e Pagodinho
Faculdade, cerveja, baladinhas, e beijo na boca. Não foi sempre assim para mim, mas houve uma época — entre o maior pé na bunda que levei de um namorado e a minha fuga para o exterior — que pude encarar a juventude desta maneira. Eu não queria compromisso, queria companhia. Alguém que me quisesse sem assumir que me queria de verdade. Queria por debaixo dos panos. E nada melhor do que um pagode/samba universitário que suprisse as minhas e as vontades dele simultaneamente. Era algo maneiro, moleque, safado… “Toca um samba aí que eu vou me apaixonar. Hoje eu só quero é beijar, beijar, beijar…” Dava trabalho, e muito frio na barriga ao vê-lo passar fingindo que não me olhava. Os encontros nas escadas, atrás de uma barraquinha de cachorro-quente, daqueles na cara, mas que ninguém vê. Eram bons, instigantes. Inegavelmente teve seu encanto, era uma solução imediata que espantava a idéia de que eu era sozinha. Uma ‘neura’minha — em ficar solteira — adquirida depois de namorar uns 9 anos, com apenas 2 caras diferentes.

Seguraaaaaa peão!
Um pouco antes da minha viagem com o objetivo de fuga (ou do ponto de vista mais formal: “improve my English”), vivi uma vibe sertaneja. Eu não era super fã, conhecia pouco, dançava nada… Mas, estava na moda, e como eu adoro seguir tendências, acabei me enroscando no laço de um caubói. Chegou para mim como um ar renovado, um novo fôlego, uma mão que te puxa para superfície quando a única coisa que você enxerga é o fundo do poço! É, de fato eu estava arrasada. E por que não subir nas esporas e enfiar um chapéu na cabeça? Mas paixão sertaneja é bandida, atrevida, do jeitinho que pitam as letras, talvez com uma dose a menos do “estilo corno de ser”! O cara dizia que era bonzinho… Gino e Geno já tinham feito a música Enverga mas não quebra: “De bobo nóis não tem nada, só a cara de coitado. Nóis se finge de leitão, pra poder mamar deitado…” Este homem, como nenhum outro, me levou ao pé do ouvido, na lábia… Interrompido, culminou com a minha saída estratégica e planejada. Destino: outro hemisfério!

Ritmo lento e Praieiro
O cenário não era bem pé na areia, mar e sol. Nós não subimos a serra, embora tenhamos tentado atravessar as Américas. Foi aos poucos, foi lento, foi relaxante, quase zen… Podia nevar do lado de fora, mas o clima era quente e particular. Me surpreendi. Tinha Jack Johnson e Banana pancake’s por todos os lados e nós não precisávamos de mais nada, nem ninguém, pois “We got everything we need right here. And everything we need is enough.” O som tocava na minha cabeça, no rádio, na TV, no computador, era uma loucuuura. Por meses só conseguia ouvir aquilo. A paixão foi do tipo intensa e breve como as letras e melodias do Jack. No final, 532 quilômetros, entre a região Sul e Sudeste, nos impediu de continuar… Eu precisava renovar o velho hábito de me apegar com facilidade às pessoas…O guardei no meu baú de boas lembranças, e me libertei!

A música, com M maiúsculo
…Antes que eu pudesse perceber ou pensar a respeito da música que eu gostaria que tocasse para mim, ali naquele momento… Já estava frente a frente com a maior bota da minha vida, e a minha maior paixão. “Não!” Eu pensei. Não tinha mais jeito, aquele ritmo era tão bom, tão meu, tão cheio de todos os outros ritmos… Cai de joelhos, perplexa com a suavidade e a profundidade das canções da Vanessa da Mata. E embora eu achasse que nosso sonho houvesse se perdido no fio da vida, ele estava maior e mais bonito, me esperando, como um presente cheio de embrulhos, valioso. “Se voltar desejos, ou se eles foram mesmo, lembre da nossa música.” Nossas juras de amor poderiam ter se esgotado, mas renovamos, improvisamos no repertório. Depois de muito punk rock, confusões de cenários psicodélicos e abstratos entre mim e ele, finalmente a redenção. Em um show da musa da MPB, olhando da platéia para Vanessa, estávamos os dois de corações entregues, sem poder resistir àquele amor, aquele embalo. Flutuei a cada estrofe e refrão. E como ela diz em Música: “Um costume de nós fica agarrado”, era o costume de sermos “nós dois”, não eu, não ele só: nós! Existia ainda um nós ali escondido no meio de mágoas e boas recordações. Disse sim, me entreguei “até que a morte nos separe”.

criado por julianacentini    19:38:34 — Arquivado em: Sem categoria

2/7/08

Se eu tivesse que relembrar

Por Juliana Centini

Um dia desses me olhei no espelho e percebi que carregava o peso das coisas que não havia dito, há muitas pessoas. Cansei de parecer sempre ressentida e resolvi falar sobre tudo o que ganhei, deixando aquilo que perdi para trás, em um lugar estratégico, para que as más lembranças não tirassem o brilho das boas recordações. Afinal de contas, toda situação tem necessariamente mais de um lado.

Por detrás dos lados há versões, confissões e muito mais…

No meu caso tem algo de aprendizado e de saudades de um tempo em que eu era feliz sem precisar fazer muito esforço. Desta época me recordo que aprendi muito!

Aprendi a dizer sem gastar palavras.

Aprendi a ouvir o silêncio de cada um, e a entender que gestos são sinais de carinho, que olhares aprovam e reprovam, e entre tudo — o que para mim foi o mais importante — que um sorriso pode te fazer sentir a pessoa mais feliz em um raio de 15 mil km. Às vezes notava um olhar distante e um sorrir com os olhos e com o canto da boca, que bastavam para deixar em paz.

Mas não foi só isso que aprendi…

Notei que para estar ao lado não preciso estar por dentro.

E para se contentar não é necessário saber sobre cada movimento do outro. E mesmo que esse outro resolvesse me dizer sobre cada batida do seu coração, me limitaria a ouvir, a respeitar o seu espaço, idéias e decisões.
Aprendi a respeitar espaços.

Outra importante lição que tive foi que: gostar de alguém não é usual. Hoje em dia as pessoas preferem dizer que não se apegam, e passam tempo demais reclamando, odiando, injuriando-se.

Dessa forma, aprendi a gostar daqueles que gostavam de mim e dos que não gostavam também! Fiz isso sem preconceitos ou rotulações. E recebi recíproca resposta.

Saber gostar!

Aprendi a sentir sem pretensões. E percebi que não seria nada demais se alguém não chegasse a me amar. Não faz mal!

E que no final, se a vida nos separasse então, eu não precisaria enterrar meus sentimentos no mais fundo poço de emoções para superar e seguir adiante.

criado por julianacentini    10:20:34 — Arquivado em: Sem categoria

24/3/08

Uma pessoa que sente

Por Juliana Centini

Tem dias em que SAUDADE é a única coisa que consigo sentir. Como se nada mais existisse no mundo além de tudo aquilo que já passou e não tem mais jeito de voltar.
Antes de conseguir frear o impulso: eu sinto saudades.
Não é uma música que me faz lembrar.
Não é uma pessoa que reapareceu de repente.
Não é falta de amigos, amores ou do que fazer… É SAUDADES, e só.
Adoro a minha vida como está, mas esse sentimento perturba e enfeita meus pensamentos. Vou do riso ao choro com uma só lembrança. Analiso e examino os detalhes de uma cena, conversa ou festa.
Os anos não serão suficientes para apagar uma fascinante companhia, a fidelidade de uma amizade, ou um abraço apaixonado.
Minha vida é feita de reencontros, de ida e vindas que não cessam. E não há como fugir dos meus sonhos, das fotos de um álbum, de um CD que toca repetidas vezes. Jack Johnson é meu cúmplice, assim como Ben Harper, a sonsa Beyonce ou os caipiras César Menotti e Fabiano.
Quando o surfista me diz: “Just so easy, When the whole world fits inside of your arms”, não há mais o que ser dito, mesmo que ainda haja muito a se dizer.
Meu repertório de desculpas e justificativas esgotaram-se, não sei mais porque o passado me faz tanta falta se aparentemente não me falta nada. Às vezes acho que meu grande mal é pensar demais.
Porém como negar…Que gostaria de ter a lealdade das irmãs que tive, mas que isso não fosse apenas por um trimestre. Queria que ainda pudesse contar com a companhia de alguém que me deu os melhores conselhos, e me contou as piadas mais sem-graças de toda a minha vida, mas que me fizeram rir por dias. Desejaria que meus dias tivessem mais conversas francas, diálogos profundos e esclarecedores…Gostaria de poder sentir o cheiro daqueles lugares novamente, e me emocionar com cada história de vida daqueles desconhecidos tão queridos. Queria não ter que esquecer o ombro e o coração que se abriu para mim, pela primeira vez, após ter sido machucado e pisado.
Sabe o valor daquilo que não se pode ter, mas que já foi seu um dia?
É enorme, é precioso e inesquecível.
Não adianta chorar o leite derramado, nem viver de passado… eu sei!
Mas sei também que parte de mim ficou numa cidadela caipira e fria dos Estados Unidos, assim como há uma parte de todos que lá conheci que está dentro de mim, e jamais me deixará, nem que para isso seja preciso sentir saudades todos os dias…

criado por julianacentini    19:01:13 — Arquivado em: Sem categoria

27/2/08

O meu feliz ‘sempre’

por Juliana Centini

E então sobe o letreiro:

“… E foram felizes para sempre …”
                     The End

Na verdade é aí que tudo começa, e não simplesmente termina. A frase correta para aqueles que não vivem um conto de fadas, para aquelas mulheres cujas histórias não envolvem anõezinhos, maças enfeitiçadas ou fadas madrinhas, deveria ser:
“Felizes Sempre… Sempre que der, puder e conseguir!”

A obsessão pela felicidade é o que nos faz completamente infelizes. Procurando receitas, pílulas, mantras, religiões, e falsos ideais para dias felizes, felizes e felizes. Mascaramos os problemas e não os enfrentamos. Gastamos energia em conquistas passageiras, sem prezar o que permanece: a batalha antes de conquistar…
Relações deveriam, por tendência, chamarem-se ‘complicações’!
Porque, hoje, para ser feliz, para encher a boca e dizer: “eu sou a pessoa mais feliz do mundo”, é preciso, no mínimo: dinheiro, sorte e vantagens.

Ser você mesmo e tentar fazer alguém feliz, parece no geral ser o mesmo do que alguém acomodado. Confunde-se paz, como monotonia. Confunde-se sossego, com tédio.
Temos que ser hiperativos, hiperativamente felizes!

Prefiro pensar a felicidade como algo interior. Como algo a ser conquistado de dentro para fora. O que parte de mim e me faz alcançá-la.

Não sou feliz todos os dias, embora tenha a opção!
Não sei ser feliz o tempo inteiro, como se algumas coisas não me perturbassem, ou que se pessoas não me magoassem.

Sei sim, ser feliz com pouco, muito pouco. Como com uma notícia otimista, sobre algo que parecia não dar certo nunca.
Sei sim, ser feliz por alguém que está feliz. Ser feliz por acordar com saúde o suficiente para continuar tentando ser feliz, sempre que der, puder ou conseguir.

criado por julianacentini    15:43:54 — Arquivado em: Sem categoria

O meu feliz “sempre”

por Juliana Centini

E então sobe o letreiro:

“… E foram felizes para sempre …” 
                     The End
Na verdade é aí que tudo começa, e não simplesmente termina. A frase correta para aqueles que não vivem um conto de fadas, para aquelas mulheres cujas histórias não envolvem anõezinhos, maças enfeitiçadas ou fadas madrinhas, deveria ser:
“Felizes Sempre… Sempre que der, puder e conseguir!”

A obsessão pela felicidade é o que nos faz completamente infelizes. Procurando receitas, pílulas, mantras, religiões, e falsos ideais para dias felizes, felizes e felizes. Mascaramos os problemas e não os enfrentamos. Gastamos energia em conquistas passageiras, sem prezar o que permanece: a batalha antes de conquistar…
Relações deveriam, por tendência, se chamar “complicações”!
Porque, hoje, para ser feliz, para encher a boca e dizer: “sou a pessoa mais feliz do mundo”, é preciso, no mínimo: dinheiro, sorte e vantagens.

Ser você mesmo e tentar fazer alguém feliz, parece no geral ser o mesmo do que alguém acomodado. Confunde-se paz, como monotonia. Confunde-se sossego, com tédio.
Temos que ser hiperativos, hiperativamente felizes!

Prefiro pensar a felicidade como algo interior. Como algo a ser conquistado de dentro para fora. O que parte de mim e me faz alcançá-la.

Não sou feliz todos os dias, embora tenha a opção!
Não sei ser feliz o tempo inteiro.

Sei sim, ser feliz com pouco, muito pouco. Como com uma notícia otimista, sobre algo que parecia não dar certo nunca.
Sei sim, ser feliz por alguém que está feliz. Ser feliz por acordar com saúde o suficiente para continuar tentando ser feliz, sempre que der, puder ou conseguir.

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